01/12/2007

Nosso Planeta, Nossa Escola



As escolas estão sofrendo as perturbações pelas quais está passando todo o planeta Terra. Por ser a síntese fiel e espelho da sociedade, elas funcionam como termômetro e vitrine de tudo o que acontece no mundo social. Nosso planeta é um organismo vivo, possui uma “Anima Mundi” e está passando por uma crise de mutação cíclica, tanto no aspecto ambiental exógeno, como na sua atmosfera psíquica, onde ocorre uma intensa luta entre forças renovadoras e forças reacionárias. Isso possui um reflexo negativo no plano social, em todas as instituições. As escolas são mais sensíveis a tais acontecimentos, por todas as características espirituais já apontadas, mas principalmente porque ela é um espaço natural de esperanças de vida e utopias de um mundo melhor. Se a vida social pode melhorar, essa possibilidade começa na escola. Essa crise de mutação planetária é muito complexa e aparentemente caótica, pois se misturam nos fatos geofísicos os elementos de uma confusão de valores, de avanços e retrocessos, vitórias e derrotas, equilíbrio e desequilíbrio, construção e destruição. Não sabemos quanto tempo tudo isso vai durar e quais os resultados dessas graves mudanças, pois nesse contexto tudo se torna instável e vulnerável. Estamos em tempo de revolução e não de reformas.

Uma idéia que pode nos ajudar a entender melhor e aceitar o que está acontecendo é aquela informação doutrinária que ensina que a Terra é a nossa Escola Evolutiva, do gênero humano e, portanto, a nossa escola pequena, onde os alunos adquirem conhecimento e nós ganhamos o pão de cada dia, não deve perder de vista que fazemos parte dessa dimensão planetária. Os filósofos mais sintonizados com essa idéia dizem que estamos destinados a sermos cidadãos do mundo e que não há mais sentido para a cidadania local e nacional. O Espiritismo ensina que, na pluralidade e nas categorias de mundos, o nosso planeta está mudando sua marca cósmica de expiações e provas para a marca de mundo em regeneração. As transmigrações de almas obedece essa dinâmica das marcas planetárias evolutivas. Nesse processo reencarnam-se milhões de seres perturbados, rebeldes, agressivos, que na suas trajetórias cometem mais erros do que acertos e sofrem as conseqüências negativas dessas escolhas. São perturbados e naturalmente perturbam o ambiente em que convivem. Não se adaptam às regras sociais porque possuem um padrão sub-moral para avaliar as situações e as coisas. Aparentemente são impermeáveis aos ensinamentos superiores, aos quais reagem com indiferença, mas cuja percepção inconsciente registra em pequenas doses. Mas não está ocorrendo somente a encarnação de Espíritos endividados e espiritualmente atrasados. Diversas mensagens mediúnicas, antigas e mais recentes, bem como a observação das tendências sociais feitas por respeitados cientistas, informam que a Terra seria alvo da encarnação de Espíritos provenientes de mundos mais evoluídos, moral e intelectualmente, como parte importante do processo de renovação planetária
[1]. É uma prática comum no intercâmbio e evolução dos mundos. Tal processo já foi iniciado há milênios, quando coletividades de outros sistemas planetários encarnaram, em várias épocas, deixando marcas históricas inconfundíveis da sua superioridade. Da mesma forma, educadores de alta hierarquia espiritual encarnaram na Terra para iniciar a ruptura dessa marca de dores e sofrimentos impostos pela Lei de Causa e Efeito. Suas lições, em todas as épocas, sempre estiveram concentradas em três pontos básicos: a imortalidade, a transformação moral e a utopia da perfeição [2](Paraíso, Reino, Nirvana, Céu, etc), reflexo do esforço que os seres humanos devem fazer para aprender a serem felizes em situação de infelicidade. Essa mutação planetária ainda deverá levar muito tempo, talvez séculos, pois os processos de reajuste ocorrem em todos os aspectos e sentidos. Nada deve ficar pendente, daí a violência e a impotência humana diante de acontecimentos inevitáveis e inadiáveis.

Nas escolas encontramos, numa visão micro-social, exemplos de todos esses acontecimentos planetários. E os micro-educadores têm a mesma sensação de receio e responsabilidade das ações macro-sociais dos dirigentes internacionais.

A função social da escola é muito ampla: trabalhamos incessantemente para que haja uma adaptação e conseqüente progressão dos alunos diante das rápidas e atuais mudanças históricas. Fazemos o papel de suporte científico e ao mesmo tempo moral, pois as transformações geram distúrbios emocionais e sofrimentos físicos nos alunos, professores e funcionários. A maioria dos pais não possui condições psicológicas, nem conhecimento para lidar com esses problemas e passam a depender da ajuda da escola, principalmente dos professores. Quando a rede física e a população escolar eram reduzidas esse papel de substituir a família funcionava relativamente bem, apesar de alguns abusos de autoridade. Com a explosão demográfica, ocorrida no Brasil a partir da década de 1970, aumentou absurdamente o número de alunos nas salas de aula e ocorreu também uma mudança de mentalidade e de costumes. Com a democratização da escola, os pobres não puderam ser mais expulsos ou dispensados para o trabalho infantil. Os alunos indisciplinados e limitados não puderam ser mais punidos e reprovados. Essa quebra do antigo modelo autoritário estabeleceu um ambiente libertário nas escolas, porém gerou um relaxamento das relações de autoridade e dos papéis, sem a contrapartida de uma conscientização proporcional. Para compensar esse afrouxamento moral, adotou-se uma rigidez artificial, através da legislação educacional, acentuando-se a informação intelectual em prejuízo da formação moral. Essa situação seria acelerada com a explosão tecnológica dos anos 1990 e que atualmente se delineia na desconstrução da sala de aula e dos métodos textuais planos, através da revolução digital do hipertexto. Toda essa situação tornou a escola cada vez mais vulnerável aos distúrbios planetários, exigindo dos educadores mais dedicação e melhor desempenho em suas funções, como já vinha acontecendo em alguns setores profissionais. Nas escolas públicas essas tecnologias são praticamente inacessíveis e, mesmo assim, essas escolas continuam sendo alvo de uma demanda em massa. Todos querem estar nas escolas, mesmo que muitos deles não saibam dar valor ao conhecimento e considerem a escola como um simples lugar de convívio social, como se fosse um clube. Buscam nelas alguma coisa diferente daquilo que não encontram em casa ou que julgam ser muito importante para mudar suas vidas. Em pesquisa diagnóstica feita habitualmente nas primeiras semanas de aula, sempre solicitamos aos alunos algumas opiniões e expectativas sobre a escola, a família, o mundo e o futuro. A maioria manifesta uma grande esperança na instituição escolar e no trabalho dos educadores, esperando que nós enfrentemos junto com eles as suas dificuldades. Os itens que mais aparecem nas expectativas, e que transparecem claramente como carências pessoais, são esses:

· Professores que ensinem coisas para usar na vida, no mundo lá fora;

· Diretores amigos e mais próximos;

· Que a escola seja uma família e um lar para os alunos;

· Mais amizade, companheirismo e menos violência;

· Organização e limpeza;

· Eventos: festas, comemorações, exposições, festivais, bailes;

· Melhor qualidade na merenda;

· Bom ensino dos professores;

· Paciência com os alunos com dificuldades;

· Que eles mesmos mudem de comportamento e se tornem bons alunos;

· Que eles sofram cobranças por parte dos educadores;

· Justiça e rigor nas avaliações, incluindo reprovações;

· Faltas constantes dos professores ao trabalho;

· Mais disciplina e controle das suas próprias ações;

· Mais compreensão com o jeito de ser e a condição adolescente dos alunos.


Isso é um sinal evidente de que as coisas não estão indo bem nas escolas porque há uma grande defasagem entre o currículo tradicional e as necessidades dos alunos. Não se trata apenas de oferecer ciência e tecnologia nas aulas, mas também a oportunidade de mudança de pontos de vista, de rumos e destinos. Existem muitos problemas e obstáculos nas escolas que a tecnologia e a ciência não conseguem detectar e atingir. São questões humanas imprevisíveis, que não podem ser antecipadas nos planejamentos e nos planos e de aula. Muitos desses obstáculos aparecem camuflados nessas opiniões e expectativas que citamos. Como sempre fomos um setor conservador, sacralizado e dogmático, demoramos mais para reconhecer os nossos limites e que também deveríamos sacudir a poeira dos escombros e reinventar a escola. Essa reinvenção, enquanto as coisas não mudam definitivamente, significa também a adoção de novos pontos de vista, o abandono da arrogância e do orgulho, a mudança do olhar para outros enfoques. Como dizia Jesus, temos que “ser inteligentes como as serpentes, porém simples como as pombas”. É claro que esses novos olhares não representam a busca de soluções miraculosas e imediatistas. A escola somos nós e não o sistema escolar. Se não podemos mudar o sistema, podemos alterar a essência natural da escola, que são os nossos pontos de vista e os nossos sentimentos.

Outra marca sócio-espiritual importante do planeta Terra é o imperativo da Lei do Trabalho, recurso natural evolutivo que em mundos de expiações e provas é quase sempre associado ao sofrimento e à escravidão. A história da Humanidade terrena é também a história do trabalho, da transformação da natureza e da produção de riquezas. As diferenças entre os seres são também as diferenças entre as habilidades do trabalho físico e do trabalho intelectual, determinando os desequilíbrios sociais, reflexo das diferenças na distribuição dessas riquezas. A escravidão só foi abolida legalmente em nosso planeta há pouco mais de um século, porém no mundo atual, milhões de pessoas, incluindo crianças e jovens, são mantidas em condições desumanas de trabalho, verdadeiros cativeiros. Em nosso País há constantes denúncias de exploração do trabalho escravo, onde encontramos pessoas analfabetas e de cultura rústica e atrasada. Como explicar esses contrastes, quando vivemos num mundo altamente tecnológico. Nas escolas acontece o mesmo fenômeno: de um lado temos um ensino altamente científico e avançado e do outro uma boa parte da clientela escolar completamente indiferente, que não consegue valorizar tais condições. Alguns educadores acham que tal indiferença é somente um defeito didático, ineficiência no processo de ensino-aprendizagem. Outros acham que o defeito está na índole dos alunos e que nenhum tipo de tecnologia ou procedimento didático-educativo é capaz de mudar essa rejeição pelo conhecimento oferecido nas escolas. Outros ainda lembram que o problema está no tipo de conteúdo, ou ainda no caráter desse conhecimento. Os conteúdos positivos são fortemente rejeitados ou aceitos apenas parcialmente, desde que não haja exigência positiva de mudança de comportamento. Nem é preciso dizer que os conteúdos negativos são rápida e facilmente aceitos e assimilados.

Certamente estamos vivendo um importante momento de crise. Todos querem saber onde vamos parar. Todos querem saber as causas e conseqüências desse desequilíbrio social no qual o Estado, a Família e a Escola não conseguem estabelecer um consenso sobre os rumos que devem ser tomados para reverter essa situação. Quando não há perspectiva para o futuro também não há sentido para o presente, muito menos interesse pelas referências do passado. Um bom exemplo para refletir sobre essa situação caótica são as estatísticas de suicídio entre os estudantes. O Suicídio
[3] é sempre um tabu , mesmo nas escolas, onde deveria ocorrer maior abertura para tratar do assunto. Recentemente lemos um estudo da OMS - Organização Mundial de Saúde sobre esse grave problema social (hoje classificado como item crítico de saúde pública) e nos causou espanto não somente o conteúdo do estudo, mas principalmente o fato deste ter sido elaborado especialmente para os educadores e tratado com indiferença nas escolas. Não cremos que essa indiferença seja insensibilidade dos gestores e educadores, mas o receio de lidar com o desconhecido. Eis algumas anotações sobre a nossa leitura:

“No mundo inteiro, o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 19 anos. Em vários países ele fica como primeira ou segunda causa de morte entre meninos e meninas nessa mesma faixa etária. Sendo assim, a prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes é de alta prioridade. Devido ao fato de em muitas regiões e países a maioria dos adolescentes dessa idade freqüentarem a escola, este parece ser um excelente local para desenvolvermos a prevenção”.

“Atualmente, o suicídio entre crianças menores de 15 anos é incomum e raro até antes dos 12 anos. A maioria dos suicídios ocorre entre as crianças maiores de 14 anos, principalmente no início da adolescência. Porém, em alguns países está ocorrendo um aumento alarmante nos suicídios entre crianças menores de 15 anos, bem como na faixa etária dos 15 aos 19 anos”.

“Os métodos de suicídio variam entre países. Em alguns países, por exemplo, o uso de pesticidas é um método comum de suicídio, contudo, em outros, intoxicação com medicamentos e gases liberados por carros e o uso de armas são mais freqüentes. Meninos morrem muito mais de suicídio que as meninas; uma razão pode ser porque eles usam métodos violentos mais freqüentemente que as meninas para cometer suicídio, como enforcamento, armas de fogo e explosivos. Entretanto, em alguns países o suicídio é mais freqüente entre meninas entre 15 e 19 anos que entre meninos da mesma idade. Nas últimas décadas a proporção de meninas usando métodos violentos tem aumentado”.

“Reconhecer uma pessoa jovem em sofrimento, que precisa de ajuda, normalmente não é o problema. Saber como reagir e responder frente a crianças e adolescentes suicidas é muito mais difícil. Alguns funcionários de escolas têm aprendido a lidar com o sofrimento e com os estudantes suicidas através da sensibilidade e do respeito, enquanto outros não. As habilidades deste último grupo devem ser aprimoradas. O equilíbrio a ser alcançado no contato com o estudante suicida está em algum ponto entre a distância e a proximidade, e entre empatia e respeito”.


Ora, respeito e empatia não são técnicas profissionais especializadas da medicina ou da psicologia. São atitudes humanas comuns, de pessoa para pessoa. São posturas desprovidas de receio e preconceito, necessárias em qualquer relação interpessoal. Professores empáticos e respeitosos despertam a confiança nos alunos e estes, percebendo a disponibilidade natural e o interesse sincero pelas suas dificuldades, muitas vezes desistem de planos sinistros de auto-destruição pelo suicídio ou destruição dos outros, pela violência homicida. Estar disponível para ouvir e compreender não significa assumir a responsabilidade de resolver os problemas dos outros. As pessoas que pedem ajuda têm consciência de que elas é que devem tomar decisões sobre seus problemas e quando buscam alguém para conversar só querem compartilhar seus sentimentos. Não é preciso ter medo de lidar com essas situações limites. Pior é se omitir, alegando despreparo. Chad Varah, reverendo anglicano, criador dos “Samaritans” em Londres, o maior serviço mundial de prevenção do suicídio, através de voluntários leigos, relata em suas memórias que esse trabalho foi iniciado por ele quando soube do suicídio de uma menina de apenas 14 nos, por um motivo aparentemente fútil: ao ter os primeiros sintomas da menstruação, matou-se por achar que havia contraído uma doença venérea Essa desinformação, aliada ao preconceito, tem gerado inúmeras tragédias em todo o mundo. No Brasil esse trabalho voluntário vem sendo feito há mais de 40 anos pelo CVV- Centro de Valorização da Vida. Nessas quatro décadas o CVV apreendeu e ensinou muito sobre solidão e suicídio apenas ouvindo desabafos. Desenvolveu-se ali um precioso programa preventivo muito respeitado e utilizado por entidades médicas e governamentais. Tudo é muito prático, pelo telefone ou contato pessoal, e começa com um gesto bem simples: “CVV, bom dia (ou boa noite). Fique à vontade, estou aqui para ouvir você...”, diz sempre o voluntário. Os fundadores do CVV, depois de 40 anos de atividades, criaram o CRC- Caminho de Renovação Contínua, um programa educativo, inicialmente direcionado para os seus voluntários, e hoje oferecido como núcleos comunitários em todo o Brasil, incluindo escolas
[4]. Depois de muita pesquisa e reflexão, a OMS chegou à conclusão que os educadores, mesmo porque eles também se matam, são os melhores instrumentos para dissipar essa estúpida ignorância social. Vejamos algumas sugestões que eles nos dão para contribuir para a diminuição dessas estatísticas drásticas de mortes prematuras de jovens e crianças:

“O suicídio não é um flash incompreensível da depressão: estudantes suicidas dão avisos suficientes e oportunidades para intervenção. Na prevenção do suicídio, professores e funcionários da escola encaram um desafio de grande estratégia importante, no qual é fundamental:

• identificar estudantes com transtornos de personalidade e oferecer apoio psicológico;

• criar vínculos próximos com os jovens conversando com eles e tentar compreendê-los e ajudá-los;

• aliviar estresse mental;

• ser observador e treinado para o reconhecimento precoce de comportamentos suicidas, seja através de comunicações verbais e/ou mudanças de comportamentos;

• ajudar alunos menos habilidosos com seus trabalhos escolares;

• observar alunos que “matam” aulas;

• desmistificar os transtornos mentais e ajudar a eliminar o abuso de álcool e drogas

• encaminhar os estudantes para o tratamento de transtornos psiquiátricos, e abuso de álcool e drogas;

• restringir o acesso dos estudantes a métodos possíveis de suicídio – drogas tóxicas ou letais, pesticidas, armas de fogo e outras armas, etc.;

• prover aos professores e outros profissionais da escola acesso a formas de aliviar seu estresse no trabalho”.


Esse trabalho dos Samaritans, nas Ilhas Britânicas; do CVV, no Brasil; do SOS L’Amitié, na França; ou do Telefono Amico, na Itália, agora reconhecidos internacionalmente pela OMS, não está fora do contexto, nem se trata de uma atividade “estranha” aos problemas sociais e familiares. Eles fazem parte do contexto educacional e de uma nova mentalidade que veio se estruturando no planeta, também a partir dos anos 1950, no auge da corrida armamentista nuclear e da explosão urbana. Era o movimento de Emergência da Pessoa, reação contra a solidão e o abandono de seres humanos, às relações de frieza utilitárias entre as pessoas e a intensa massificação da sociedade de consumo e do desperdício. Nessa época surgiram em todo o mundo as contra-correntes de regeneração social: os pacifistas, os ecologistas, os humanistas, os qualitativistas, enfim, todas as idéias e atitudes contrárias á degeneração planetária já em franco andamento nesse período. Foi desses grupos, inicialmente pequenos e isolados, em vias de marginalidade e rejeição, que originaram as futuras ONGs dos anos 1990. Dez anos antes, na Califórnia, EUA, surgia a famosa “Conspiração Aquariana
[5]”, formada por ativistas do mundo artístico e científico-acadêmico, assim descrita por Marilyn Ferguson na abertura do seu memorável texto profético sobre as mudanças pelas quais passaria a sociedade americana e mundial nas décadas seguintes :

“ Uma rede poderosa, embora sem liderança, está trabalhando no sentido de provocar uma mudança radical nos Estados Unidos. Seus membros romperam com alguns elementos-chave do pensamento ocidental, e até mesmo podem ter rompido com a continuidade da História”

Na mesma época , Carl Rogers, revolucionário da psicologia e da educação, no apogeu da sua experiência e lucidez, publicava, juntamente com a sua constatação sobre a vida espiritual, as impressões sobre a possibilidade do fim da civilização ou então as dores do parto de um novo mundo e de uma nova pessoa. Rogers previa o nascimento de uma nova geração que iria abalar definitivamente as estruturas dogmáticas e violentas da ordem mundial imposta pelas superpotências da Guerra Fria e do Terrorismo:


“Nosso mundo está em uma tumultuada agonia, agonia sem parto. Isto bem pode ser a desintegração precedente à destruição de nossa cultura pelo suicídio de um holocausto nuclear. Por outro lado, o terrorismo, a confusão, o desmoronamento de governos e de instituições podem ser as dores de um mundo em trabalhos de parto (...) nas aflições do nascimento de uma nova era (...) do nascimento de um novo ser humano, capaz de viver nessa nova era, nesse mundo transformado. Estamos diante não de uma, mas de várias mudanças inevitáveis de paradigmas. Os velhos padrões se desvaneceram. Isto nos inquieta e nos deixa incertos”.


[1] Consulte: “ A Gênese”, de Allan Kardec, várias traduções e edições. “A Caminho da Luz”, do Espírito Emmanuel, pelo médium Chico Xavier. Feb Editora; “Os Exilados da Capela”, de Edgard Armond. Ed. Aliança. “Mensagens do Astral”, do Espírito Ramatis, pelo médium Hercílio Maes. Editora do Conhecimento. Em 1981 o psicólogo e educador Carl Rogers, da Universidade da Califórnia, publicou um texto revolucionário denominado “Um novo mundo, uma nova pessoa”, falando sobre as grandes transformações pelas quais passaria o planeta na atual transição de século e milênio. “Em busca de Vida”. Summus Editorial.
[2] Embora esses lugares de perfeição fossem metáforas da mente e da auto-realização, as coletividades espirituais são realidades incontestáveis. No caso da maioria dos habitantes do nosso planeta, o Espiritismo denomina esses ambientes de “Erraticidade”, que é a situação dos Espíritos não encarnados durante os intervalos de suas existências corporais.
[3] A tendência suicida pode ser influência de Espíritos suicidas e também se manifesta fortemente como prova (situações difíceis) em Espíritos rebeldes que já cometeram suicídio em outras encarnações. Eles geralmente renascem com graves problemas fisiológicos (deformações internas e externas) efeito das agressões contra seus antigos corpos físicos, mas que ficaram gravadas perispírito (corpo mental-espiritual).
[4] Trata-se de um grupo de encontros vivenciais rotativos com regras de funcionamento muito simples e eficientes para a educação emocional de pessoas de todas as idades. No currículo do CRC predomina a interiorização pela introspecção e não a exteriorização pela verbalização intelectual. Os temas abordam assuntos existenciais escolhidos pelos próprios participantes, que falam mais do que sentem e menos do que pensam. Não há espaço para polêmicas religiosas ou políticas.
[5] Ver a bibliografia indicada pelo autor.

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