01/12/2007

Onde estão os Espíritos




O interesse pelo contato com Espíritos persiste entre os jovens e vai muito além da diversão e da mera curiosidade. Ele revela também um interesse real pela espiritualidade e a vocação mediúnica dos participantes. Imagem: Espiritismo, Editora Abril.
 
459 - Os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações

- A esse respeito, sua influência é maior do que podeis imaginar. Muitas vezes são eles que vos dirigem. - Allan Kardec - O Livro do Espíritos -1857



Para ir direto ao assunto: onde está a espiritualidade[1] na escola? Como essa espiritualidade pode ser explorada sem riscos e se reverter em auxílio às nossas atividades escolares?
A resposta é bem simples. Se os espíritas freqüentam os centros espíritas porque acreditam que ali existe uma escola na qual são alunos e nela existem mentores que protegem, ensinam e educam, por que isso seria diferente nas escolas comuns? É só aplicar o método positivo de Allan Kardec:

§ Nas escolas existem Espíritos desencarnados?
§ Nas escolas podem ocorrer fenômenos espíritas?
§ Esses fenômenos são regulares, podem ser observados, explicados e divulgados?
§ Nas escolas surgem especulações filosóficas acerca desses fenômenos?

§ Nas escolas podem ocorrer transformações morais e sociais decorrentes desses questionamentos filosóficos?

Concluindo: a mesma espiritualidade encontrada nos centros espíritas pode ser encontrada nas escolas ou em qualquer ambiente de trabalho. É só consultar os bons manuais de navegação espiritual e constatar que as circunstâncias são semelhantes, os problemas são iguais e as soluções podem ser idênticas.

Em O Livro dos Espíritos[2] constam, entre tantas outras reflexões sobre espiritualidade e ética , algumas questões que versam diretamente sobre a relação entre matéria e espírito, estreitamente ligadas aos nossos propósitos educativos.

Mas foi num ensaio científico do Espírito André Luiz[3] - Evolução em Dois Mundos - psicografado por Chico Xavier, que encontramos uma informação bem ilustrativa desse nosso tema. Trata-se de um comentário sobre as nossas atividades mentais durante o sono e o desprendimento do corpo físico, através da mediunidade espontânea. Nesses casos certamente não ficariam de fora nós os professores, os alunos, os funcionários e os gestores das escolas.

“É assim que o lavrador, no repouso físico, retorna, em corpo espiritual, ao campo em que semeia, entrando em contacto com as entidades que amparam a Natureza; o caçador volta para a floresta; o escultor regressa, freqüentemente, no sono, ao bloco de mármore de que aspira a desentranhar a obra-prima; o seareiro do bem volve à leira de serviço em que se lhe desdobra a virtude, e o culpado torna ao local do crime, cada qual recebendo de Espíritos afins os estímulos elevados ou degradantes de que se fazem merecedores.”

Mas esse nosso retorno mental à escola pode e deve ser desvinculado das características alienadas da mediunidade primitiva para práticas psíquicas mais arrojadas e conscientes. É possível nos prepararmos para encontros treinados e produtivos, nos moldes dos desdobramentos, na qual se pratica o exercício da memorização e maior aproveitamento das informações obtidas no plano espiritual.

É sempre bom lembrar que todos nós somos Espíritos e médiuns, em maior ou menor grau, encarnados ou desencarnados, crianças ou jovens, adultos ou idosos, somos os mesmos, com virtudes e defeitos, hábitos e gostos, jeitos e trejeitos. Estamos em toda parte, onde existir vida em sociedade, simples e ignorantes ou complexos e cultos, em constante interação de pensamentos, ações e sentimentos. Às vezes mudamos de aparência, mas na essência continuamos sendo as mesmas criaturas; mudamos de ponto de vista sobre algumas coisas da vida, de opinião sobre alguns assuntos desse ou daquele contexto, mas continuamos os mesmos. Só mudamos de fato quando transformamos os nossos sentimentos e atitudes sobre as coisas e as pessoas. Isso realmente nos transforma em outras pessoas, a ponto de não sermos reconhecidos por quem nos conheceu antes. Quem te viu, quem te vê, heim? Não nos identificamos mais com aquela pessoa do passado, pois adquirimos uma nova identidade. Não são aparências ou máscaras, é mudança real mesmo. No corpo carnal acontecem as mudanças biológicas, transitórias, pelos regimes alimentares, exercícios físicos, rejuvenescimento ou envelhecimento. No corpo espiritual essa mudança é diferente e duradoura: ocorre uma iluminação natural, causada pela mudança nas estruturas do perispírito[4], através do brilho dos centros de força (chacras), que são uma espécie de glândulas etéricas de captação e distribuição de energias e que refletem em forma de luz e cores, formando também a nossa aura. Nesse caso o espanto de quem nos vê modificado é redobrado. O problema é que as mudanças reais só acontecem depois de grandes transtornos e perturbações, dores causadas por choques de provas e expiações. Todo Espírito encarnado sabe disso, pois traz essa informação guardada no inconsciente, entre a zona de conforto e a zona de perigo. Temos conosco, cada qual com a sua marca, uma equação existencial para ser solucionada em algum momento da vida. Todos nós sabemos que, mais cedo ou mais tarde, esse momento vai chegar, mesmo que não tenhamos uma lembrança consciente dos compromissos que assumimos antes de reencarnar. É para isso que serve as existências e é também por isso que nos matriculamos na Escola da Vida.

Quem vê ou percebe a presença de Espíritos têm dois tipos de sensação: medo e tristeza, quando estes estão estacionados em sofrimento; ou espanto e alegria, quando nos deparamos com entidades iluminadas, felizes, cuja superioridade natural nos causa emoção como o choro e entusiasmo. Poucas pessoas percebem, mas quando recebermos a visita de Espíritos apagados, em crise e sofrimento, também temos predisposição em apagar a nossa luz. Quando são Espíritos lucificados, inexplicavelmente ficamos imensamente alegres. Até mesmo os animais que estão por perto têm esse tipo de percepção. São situações que não dependem de fórmulas ou amuletos e muito mais do nosso estado emocional. O pensamento atrai e inicia a ligação; e o sentimento consolida o contato. A espiritualidade está em toda parte, seja como estado de espírito, seja como fenômeno natural. A primeira é muito útil para manter a paz de espírito, a serenidade, a calma. É, enfim, a meditação, a imagem e o imaginário da espiritualidade, a oração, a base da sintonia. A segunda, nessa perspectiva do conflito exterior, também é muito útil, pois é a vigilância, a realidade e o contato direto com os Espíritos. Muitos educadores são crentes naturais, mas uma grande maioria age como Tomé, precisando ver para crer. Daí a nossa idéia de buscar uma espiritualidade mais objetiva e inteligente, fugindo da superstição e do dogma. Essa possibilidade acontece nas experiências de algumas escolas espiritualistas, ainda de forma subjetiva e nebulosa, mas no Espiritismo ela ocorre de forma clara, científica e sem o misticismo supersticioso e o véu do mistério. Ao contrário das outras correntes, não falamos com os mortos e sim com os vivos, mais vivos do que nós. Espíritos são seres inteligentes e devem ser tratados como tal, sem as marcas obscuras da superstição e da atitude passiva oracular ou advinhatória. O apóstolo João recomendava aos seus alunos que verificassem se os Espíritos eram de Deus, ou seja, se eram bem ou mal intencionados. Isso prova que o contato com a espiritualidade é mais antiga e comum do normalmente se pensa. Também alertava que a nossa relação com eles deve ser de igual para igual, em termos de racionalidade. Espíritos superiores não se ofendem quando são questionados ou colocados em xeque. Pelo contrário, ficam contentes com a nossa espontaneidade e responsabilidade no trato com as coisas da vida. Já os pseudo-sábios ficam ofendidos e deslizam dos questionamentos utilizando expedientes que mexem com as nossas fraquezas: divagações poéticas de mau gosto, profecias absurdas, afirmações incoerentes e, principalmente, as posturas de incentivo ao medo e à superstição , aos rituais e fórmulas mágicas.


(1) Os termos espiritualidade e espiritual aqui são empregados de forma genérica para definir o universo físico e metafísico, os seres inteligentes encarnados e desencarnados, a pluralidade de mundos e planos habitados por eles, bem como as diversas condições mentais ou emocionais em que se encontram.

[2] No Capítulo IX - Intervenção dos Espíritos no mundo corporal ( por exemplo nas questões 456,459, 466); no Capítulo X - Ocupações e missões dos Espíritos ( questões 567, 568, 569, e 575 a 580); e na emancipação da alma (Espíritos encarnados, questões de 401 a 404, 414 a 417 e 419).

[3] Médico desencarnado no Rio de Janeiro no início do século XX, descreveu pela primeira vez em detalhes impressionantes a vida em algumas colônias espirituais. Essa descrição culta e compatível com a obra conceitual de Allan Kardec foi publicada numa série de livros psicografados pelo médium Chico Xavier.

[4] Do grego, péri , ao redor. Envoltório semimaterial do Espírito. Entre encarnados e desencarnados serve de liame ou intermediário entre o Espírito e a matéria. Entre os Espíritos errantes constitui o corpo fluídico do Espírito. Allan Kardec - O Livro dos Médiuns. Vocabulário Espírita. Nota do autor: O perispírito é conhecido desde a Antiguidade, pois as aparições de Espíritos sempre existiram e foram alvo de curiosidade e estudo por parte dos seres humanos. Os Egípcios chamavam-no de “Kha” e o apóstolo Paulo de “corpo espiritual”.


 

Magali numa viagem astral: exercício natural para a "morte" todas as noites.

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