01/12/2007

Professor, Médium e Mentor


Jean Henry Pestalozzi, educação com afeto.


Toda a Comunidade Escolar é um campo complexo de trabalho existencial e consciencial na evolução de espíritos encarnados e desencarnados. Como extensão social mais próxima da família, exatamente por causa dessas situações cada vez mais agravantes, certamente recebe tratamento específico das inteligências desencarnadas superiores e comprometidas com esse setor estratégico da evolução planetária. Essa certeza sempre nos vem à mente quando lembramos das muitas escolas pelas quais passamos no decorrer de quase duas décadas. Quem trabalha ou trabalhou em escola pode compreender e confirmar essa nossa constatação: quando as condições assim permitem, as turmas em suas respectivas séries não são agrupadas ao acaso burocrático da matrícula e sim pela força maior das afinidades mentais e espirituais. Os funcionários encarnados que fazem esse trabalho certamente são inspirados por Espíritos que conhecem com mais detalhes e profundidade o perfil e a personalidade dos alunos e estes são aproximados por atração ou sintonia espiritual. Os mecanismos dessa aproximação de pessoas com traços psicológicos afins obedecem à leis naturais , porém tecnicamente manipuladas por inteligências superiores, utilizando, inclusive aparelhos de leitura perispiritual a partir das cores da aura e dos centros de força e finalmente das condições espirituais, ou seja, as bases cármicas e intelecto-emocionais das pessoas. Esse fator seletivo natural, com o passar do tempo, revela uma personalidade coletiva nas classes e os professores logo percebem assimilam essa realidade maior quando fazem avaliação geral das mesmas durante os conselhos de classe-série. Dessa forma é que acontece o princípio de atração e cura pelas semelhanças. A idéia de atuação do professor-coordenador, por exemplo, provavelmente foi inspirada pelos mentores das escolas, como extensão desse trabalho realizado no plano etéreo. Esse professor, quando também as condições permitem, é um elemento que possui afinidade de características com seus futuros tutelados e passa a ter uma forte relação afetiva com eles, mesmo que o grupo seja problemático e que ele manifeste rejeição por essa realidade, o que é absolutamente previsível e normal. Na maioria das vezes, em situações graves, mesmo inconformado com algumas atitudes negativas da classe, o professor-coordenador age como advogado e intercessor dos mesmos, procurando enxergar qualidades que diminuam a gravidade das faltas que os alunos cometem. É uma situação muito curiosa na qual se desenvolve e estabelece uma relação de amor nascida de momentos de conflito e tensão, como nos resgates da vida familiar. Esse professor-coordenador, quando engajado e integrado nesse papel, mesmo não tendo consciência do aspecto espiritual desse processo, torna-se um forte elo de ligação entre a escola e os Espíritos-mentores dos alunos.

Na enorme cadeia de ligações entre o Estado e sociedade, a escola e a família, o aluno e o conhecimento, o elo principal sempre foi o professor. Costuma-se dizer que escolas nada mais são do que a cumplicidade entre mestres e discípulos e que o restante é perfeitamente dispensável, porque não é essencial, embora pelas circunstâncias seja necessário. Historicamente todo o aparato organizacional desenvolvido nas escolas foi criado com a intenção quebrar ou reduzir esse poder natural dos professores e roubar o domínio político que eles exercem sobre os pais e os alunos. Essa relação de cumplicidade desperta um sentimento de admiração e também de injustificável ciúme em muitos gestores, funcionários e também nos pais, que se vêm impotentes diante da fidelidade de alunos e filhos para com os professores. Por isso a maioria dos conflitos entre professores e alunos, pais e familiares são política e maliciosamente explorados por conta dessa frustração. Esse poder do professor não vem do seu cargo, muito menos do seu conhecimento. É um vínculo natural, paternal e maternal, desenvolvido desde os primeiros anos da infância, como se fosse uma amamentação espiritual que substitui o aleitamento e a proteção dos pais. Se a escola é a extensão natural do lar, os professores são os substitutos dos pais. Somente pais, alunos e professores rebeldes e emocionalmente desequilibrados, não centrados nas suas vocações, não compreendem e podem perturbar essa relação natural entre mestres e discípulos. Quando isso não acontece as coisas na escola sempre caminham muito bem. Isso faz parte da relação social entre os membros encarnados da comunidade escolar e também entre esses e os desencarnados. O professor é o médium natural entre a Espiritualidade e os alunos, fato que também passa a ser comum entre gestores e funcionários, quando não interferem negativamente nessa relação. Inúmeras vezes recebemos dos Espíritos educadores, em sala de aula ou não, diversas formas de orientações, seja sobre a nossa conduta em determinadas situações, seja na elaboração de projetos, na preparação e exposição de aulas ou ainda na orientação no contato com os pais. Já tivemos a oportunidade constatar essa realidade quando ministramos aulas sobre assuntos que não tínhamos senão conhecimentos muito superficiais e, durante durante a exposição fomos descobrindo, por inspiração, pontos-de-vista que jamais teríamos imaginado ou então análises cuja profundidade teórica não era do nosso domínio intelectual. Quando isso acontece, a classe fica em estado de euforia, pois, de certa forma , percebe a presença de inteligências espirituais no ambiente e acabam entrando em sintonia mental com os mesmos.

Achamos que esse trabalho de intervenção espiritual nas escolas têm se acentuado cada vez mais, desde que tornou-se visível o agravamento na queda do padrão vibratório e moral das coletividades que estão reencarnando nas últimas décadas. O mundo não é mais o mesmo, moralmente falando. Apesar do avanço científico e tecnológico dar sinais de alta progressão social, os sinais de degeneração moral como a criminalidade e a violência expandiram-se assustadoramente a partir dos anos 1950. Não é coincidência ou superstição o fato de que as escolas tenham sido alvos constantes dos ataques de forças negativas, que querem a qualquer preço destruir suas estruturas de ação social, seja através da massificação do ensino, seja nas tentativas de degradação da função docente, seja na disseminação de ideologias que enfraqueçam suas bases morais educativas. A corrupção, a violência e as drogas não são apenas sintomas sociais da qual os lares e as escolas são o reflexo mais visível. É também o efeito de ações etéreas negativas planejadas por mentes perversas e que lucram, nos dois planos, com o estabelecimento do caos e do terror. Os presídios, que também são escolas especiais, criadas para reajustar e reintegrar criminosos atuais e ex-criminosos reencarnados que ali atuam como funcionários, estão em constante risco de inversão de papéis e funções. Todo o sistema judiciário tem, como no sistema escolar, pessoas, em todos os níveis, passando por provas e expiações. Organizações criminosas que atualmente ameaçam o Estado e a sociedade não são apenas produtos das péssimas condições sociais. São reproduções de modelos que existem em núcleos do umbral
[1], cuja grande parte dos membros hoje estão reencarnados em processos provacionais e expiatórios, porém ainda mentalmente ligados aos seus parceiros do mundo etéreo. Sua organização e politização não foi apenas produto do contato entre presos políticos e presos comuns durante as ditaduras, mas é um fenômeno mundial, na qual esses Espíritos de má índole tentam estender seus tentáculos de poder pelo terror para a sociedade em geral.

Esta é, em parte, a nova realidade que estamos vivendo e que tem na educação e na figura dos educadores um desafio especial: não deixar a peteca cair e mantermo-nos a postos contra a derrocada do sistema escolar. Para tanto é preciso conhecer o problema, saber os riscos, identificar os limites e explorar todas as possibilidades de iluminação. Depressão, tristeza, desânimo, síndrome de pânico, irritação, ansiedade, descontrole emocional, rebeldia mal direcionada, desejo de fuga das salas de aula, também não são apenas sintomas do stress , típico do mundo pós-moderno e da competição capitalista global. É também, pelos conhecidos processos obsessivos, a sintonia e a submissão às forças espirituais negativas que assaltam as escolas e as famílias pelas vias da afinidade mental, para facilitar o trabalho corruptor e degenerador dos costumes harmônicos necessários ao êxito escolar e social. E tais situações de desequilíbrio estão cada vez mais freqüentes em todos os membros das comunidades escolares e cada vez mais precoces nos alunos. Para agravar a situação, as posturas disciplinares, os métodos didáticos-pedagógicos e programas curriculares não são mais compatíveis com a nova cultura social e com a nova legislação (códigos e estatutos ), muito menos com o perfil e expectativas da clientela que atualmente freqüenta as escolas. Não podemos esquecer que a nossa formação intelecto-moral precária e a baixa remuneração também são realidades que devem ser combatidas com inteligência e coragem. Nossa valorização não começa nos gabinetes do poder, mas na nossa própria consciência, refletindo eticamente nas posturas profissionais. Quanto mais conscientes, mais fortes, mais respeitados. Quanto mais respeitados, menos conformistas e menos derrotados. Para os educadores de vocação este é um momento crucial, porém definitivo e divisor de águas. Uma das causas da nossa desvalorização profissional é exatamente a presença em nosso meio de pessoas que negam possuir afinidade ( e nem se esforçam para ter) com o Ensino e com a Educação. Acham que não possuem compromisso, pois acreditam que “caíram de para-queda” e só estão “de passagem” nas escolas. Não se aceitam como são, muito menos como estão. Agem de forma obscura, dúbia, corrupta, traindo a confiança dos alunos e dos pais; delatam colegas, buscando falsos prestígios e se afundam cada vez mais na desilusão consigo mesmos. É um caminho atraente para todos nós, ainda ávidos de ilusões e fugas. Ledo e doloroso engano, pois já estamos, sem saber, gerando débitos cármicos, quando deveríamos produzir créditos. Muitos de nós agimos de forma irresponsável, cínica e egoísta, como se a Escola e Estado fossem entidades estranhas e distantes da nossa individualidade. Mesmo as instituições particulares são meros empréstimos das forças superiores e seus “proprietários” terão que prestar constas do patrimônio cultural do qual se tornaram depositários. Muitos de nós afirmamos: “O Estado não faz nada por nós, somos apenas um número. Por isso, faço isso ou aquilo, sem a menor crise de consciência!”. Grave equívoco, pois o Estado somos nós e, mesmo os governos que os administram, são produtos da nossa vontade ou omissão política. Fazer isso ou aquilo com a intenção de lesar o Estado é crime coletivo e gera débito cármico, prontamente acusado pela nossa consciência, piorando após o desencarne, quando entramos em contato com a parte mais ampla da nossa mente, além dos cinco sentidos físicos. Como em todas as situações de erros graves, segue-se então um forte sentimento de culpa e não adaptação aos núcleos coletivos mais organizados e evoluídos da erraticidade. Isso quando não estacionamos em núcleos inferiores, cuja organização é voltada para o individualismo e a opressão. Para reaver a paz interna, pedimos para reencarnar. Daí a volta de muitos Espíritos no próprio cenário dos abusos, seja como colaboradores na erraticidade espiritual, seja como devedores no retorno carnal. A semeadura é livre, mas colheita é obrigatória. Quando falamos em Estado e débito cármico, estamos lembrando que essa é uma relação idêntica entre a nossa consciência e o Universo. Qualquer ação humana e racionalmente consciente, porém abusiva e fora dos padrões naturais, gera desequilíbrio e a uma reação proporcional, dos simples aos grandes gestos. Isso não é invenção mística e dogmática das religiões. Isso faz parte da história e da evolução dos seres. A Ciência, em teses reconhecidas, já demonstra que o Universo é inteligente, interligado pelos fenômenos, pelas leis naturais, pelos seres, e que nada acontece ao acaso ou de forma isolada. Isso significa que aquela única uva ou castanha, que não podemos e não vamos comprar, mas que sempre roubamos no supermercado, vai causar um desequilíbrio no Universo; não pelo gesto em si, mas pela intenção. Imaginem então o que acontece com os grandes danos e prejuízos coletivos.


[1] Zonas ou esferas etéricas da Erraticidade, habitadas por espíritos ou coletividades espiritualmente ainda grosseiras, de hábitos e valores muito influenciados pelo mal. Na mitologia das religiões dogmáticas os umbrais são apontados como infernos ou regiões purgatoriais. Essas esferas influenciam negativamente pela afinidade e sintonia, sobretudo durante o sono físico, as coletividades encarnadas.

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