01/12/2007

Renascer e Ressurgir na Escola


Falando um pouco mais sobre cinema, quem assistiu a segunda versão de “Além da Eternidade” (Always) lembra muito bem do casal de bombeiros-aviadores apaixonados, interpretados por Richard Dreyfuss e Holly Hunter. Ele parte para o Além durante uma ação perigosíssima, lutando para apagar um incêndio numa floresta; e ela permanece na Terra, atordoada com a passagem trágica do seu amado. Após o acidente ele vai cortar os cabelos numa graciosa ilha mental, em meio à fumaça e aos escombros da floresta queimada. Quem corta seus cabelos é um Espírito feminino, sua mentora espiritual, que lhe acolhe e também prepara-o para enfrentar naquele mundo novo algo pior do que morrer num acidente aéreo: cair em si e encarar a verdade das coisas. Ele se libertou do corpo físico, mas não conseguir se desvencilhar do compromisso sentimental gerado na mente e no coração da meiga e romântica namorada. Ela pensa nele o tempo todo; e ele não consegue deixar de pensar nela. Ele têm uma pendência consciencial, por não ter cumprido corretamente sua missão e deixou um grave compromisso sentimental. Volta ao cenário do trabalho terrestre para resolver essa pendência, mas a tarefa vai se tornando cada vez mais difícil porque fica indeciso se quer prosseguir no Além mais longe ou se fica Além mais perto. A namorada não dá sinais de progresso, pensa em desistir da vida e passa namorar um novo aviador inexperiente. O nosso aviador-bombeiro agora tem duas missões: liberar sentimentalmente a ex-namorada e treinar o novo aviador, para que o mesmo não cometa os mesmos erros que ele cometeu. Filme lindo, com trilha sonora belíssima.

Mas, e se o mocinho e a mocinha fossem professores? Como seria o roteiro do filme? Será que os educadores também fracassam em suas missões e, quando desencarnados, acabam voltando para suas escolas para resolver pendências?

Claro que sim! Educadores, apesar de serem admiradores e divulgadores da perfeição e da verdade, ainda são imperfeitos e cometem toda sorte de erros e equívocos no exercício técnico e moral da sua profissão. Quase sempre reencontram no cenário da escola os antigos desafetos e vítimas das suas mazelas do passado, o que agrava ainda mais o risco das recaídas. Isso significa que os Espíritos que atuam nas escolas também são ex-educadores, cada qual trabalhando nas suas funções, capacidades e necessidades de reajuste das falhas cometidas. Mais ainda: muitos deles, dependendo da gravidade do erro, logo após o desencarne, voltam às escolas onde falharam com a tarefa de estagiar, observando “in loco” as situações onde falharam, auxiliando companheiros encarnados que estão correndo o mesmo risco. Depois desse estágio buscam a reencarnação para passar pelas provas de fogo da vida carnal, sem lembranças conscientes, sem poder prever com precisão o momento em que estarão sendo testados. Portanto, os Espíritos que atuam nas escolas, mesmo os mais experientes, são essencialmente comprometidos com a educação, muitos por débito, alguns por dever de consciência e poucos para realizar grandes missões. Quando alguém do nosso meio e do nosso plano evolutivo bate no peito dizendo que são pessoas “comprometidas” com a educação certamente estão reconhecendo em público que um dia cometeram falhas graves nesse setor.

É fato que as escolas não estão desamparadas e sem cobertura espiritual. Muitos Espíritos desencarnados trabalham conosco e zelam por nós. Os que atrapalham o nosso trabalho o fazem com aberturas que nós, os encarnados, proporcionamos a eles. Sem essas oportunidades eles não ultrapassam os limites de sua atuação. Os episódios de violência ocorridos em escolas do mundo inteiro, incluindo as tragédias coletivas, são fatos ligados a processos de resgates cármicos
[1], nos quais nem mesmo a Espiritualidade Superior poder interferir, a não ser para alertar aqueles que não deveriam ser afetados ou para amparar aqueles que foram direta ou indiretamente atingidos pelos acontecimentos. Nesse aspecto, as escolas são como todos os demais ambientes, sujeitos a ventos e tempestades das leis naturais do mundo físico. Estamos falando aqui de ações mais específicas dos Espíritos. Na sua ampla dimensão social não poderia faltar a contra partida espiritual, com vasta rede de projetos e realizações ligados entre si pelos processos de ajustes e reajustes reencarnatórios. Isso é muito comum em praticamente todas as atividades humanas, sobretudo as que são estratégicas e que envolvem riscos para a existência humana. Certa vez ouvimos num centro espírita de uma cidade do interior paulista o relato de um engenheiro contratado para supervisionar uma reforma no setor industrial de um grande frigorífico, instalado às margens de um grande rio. Afastado das atividades espirituais mediúnicas, ele veio ao centro em busca de socorro, pois estava ainda “atordoado” com um episódio de clarividência. No momento de uma rotineira matança do gado e processamento das carnes ele observou uma cena muito curiosa, porém chocante para os leigos: da margem do rio, atraídos pelo cheiro de sangue, surgiram nos amplos salões do matadouro centenas de Espíritos em estágio mental primitivo, de baixo grau de consciência, em busca de um alimento fluido contido no sangue espalhado no chão, nos pedaços de carne selecionados e também nas vísceras. Segundo ele, depois de alguns minutos, essas entidades de aparência grotesca se afastaram, saciados, dando lugar para entidades de grande agilidade, que pareciam vultos de luz, cujos movimentos de manipulação indicavam um trabalho de assepsia energética sobre as carnes e os equipamentos utilizados para o corte. Esse relato, que já havia sido feito por outras pessoas, confirma a atuação dos Espíritos em diversos ambientes profissionais. Nesse caso entendemos que eles estariam dissipando a concentração de energias negativas sobre as carnes, que seriam consumidas como alimentos pela população encarnada, contaminada pela ação de vampirismo dos Espíritos inferiores e também pela reação química causada pelo medo e a dor dos animais no momento do abate. A ação dos Espíritos inferiores ali não pode ser evitada porque eles vibram numa sintonia mais grosseira, de fácil acesso em ambientes afins.

Nunca é demais lembrar que Espíritos em estágio mental primitivo, pouco moralizados e ainda muito ligados aos instintos animais, ficam pouco tempo no mundo etéreo, em situação quase inconsciente e praticamente reencarnam sem guardar lembranças das experiências na erraticidade. O vampirismo de Espíritos desencarnados sobre os encarnados é comum nos excessos alimentares, no consumo de bebidas alcoólicas, no fumo, no uso de drogas alucinógenas e também nos excessos sexuais. Enfim, nos vícios humanos. Já a obsessão é um vampirismo moral, atraído e facilitado pelas nossas atitudes e sentimentos ruins de preguiça, malícia, inveja, vingança, ódio, etc. Nesses casos a assepsia só funciona quando ocorre a vigilância e a conseqüente mudança de hábitos e sentimentos. Esse é um tipo de educação que ainda não é possível implantar diretamente nas escolas (de forma legal, vertical ou horizontal), mas que podem ser divulgadas e legitimadas através do currículo transversal, pelos exemplos. Participamos de um projeto de preservação do patrimônio escolar, cuja tônica principal era a limpeza das salas e do pátio da escola. Manter a escola limpa, preservar o patrimônio, influenciar o bairro, a cidade e, quem sabe, o planeta. Houve apoio e também reação por parte de alunos e professores. Parecíamos rebeldes e contra as medidas, como a maioria dos alunos, mas na verdade estávamos insatisfeitos e reagindo contra as nossas próprias estratégias errôneas de ação. Estávamos mandando os alunos limpar, ensinando e comandando os detalhes, dando a impressão que eles eram faxineiros e nós os supervisores da faxina. Não estava dando certo nas salas em que estávamos atuando, pois agíamos na base do “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. A situação passou a mudar quando, ao invés de comandar, começamos a participar da ação, pegando, junto com os alunos a sujeira do chão. Antes nós falávamos: “Fulano, pegue aquele papel de bala e jogue no lixo!”. A reação era a seguinte. “Não fui eu quem jogou, portanto não vou pegar”. Depois disso passamos a dizer: “Fulano, por favor, traga para mim esse papel, para que eu jogue no lixo”, enquanto, ao mesmo tempo, catávamos no chão algum tipo de sujeira. A reação foi esta: “ Toma aí , professor”; ou então: “Deixa que eu ponho lá, professor”. Ficou bastante claro, para todos, que a qualidade das ações educativas não está no padrão funcional das mesmas, nas regras e discursos unilaterais de “falar a mesma língua”, mas na qualidade atitudinal dessas ações, na semelhança dos exemplos.


Na mesma escola tivemos uma experiência inesquecível quando fomos desafiados por uma situação de constrangimento. Ao entrarmos na sala de vídeo, recebemos de grande parte dos alunos uma forte pressão para que fosse retirado da sala um aluno que estava com aquele conhecido “cheiro forte” (CC). Tentamos disfarçar e dar continuidade ao filme, mas o cheiro estava realmente incômodo e parecia aumentar quando apontavam o garoto. Nesse momento passa pelo corredor o diretor da escola e desfecha aquele olhar de censura que significa ao mesmo insatisfação e cobrança. Nossa reação foi automática: “Ninguém vai sair e todos vamos ver o filme até o fim, com cheiro ou sem em cheiro”! Olhos fixos na TV, esperamos a reação. A classe se acalmou por alguns instantes. Mas o problema persistiu. Queriam excluir o garoto. De repente, tomamos uma decisão: levantamos do nosso lugar e fomos em direção ao tal garoto. Sentamos ao lado dele e bem próximo do aluno mais agitador, que, tampando o nariz em atitude jocosa, queria ver o circo pegar fogo. Fizemos um rápido discurso do tipo “ Vamos deixar de frescura” e perguntamos ao agitador se ele gostaria de sair da sala, pois parecia ser o mais incomodado. Novamente, olhos fixos na TV e aguardamos nova reação, agora de alguns alunos já solidários conosco e com o garoto, cobrando silêncio e atenção ao filme. Por incrível que pareça, o cheiro forte foi diminuindo, seja por adaptação nossa, seja pela mudança de enfoque e pressão moral sobre o agitador, ou então pela redução do sentimento de ameaça e constrangimento do garoto. Enfim, com cheiro ou sem cheiro, terminamos de ver o filme e, depois, tivemos a oportunidade de conversar com os dois alunos. O agitador reconheceu que exagerou e não imaginou que o colega fosse ficar tão humilhado a ponto de chorar. Ao garoto do CC, que também não era “flor que se cheire”, explicamos que o problema era causado por uma bactéria adquirida, por exemplo, pela mistura de suor na troca de camisas utilizadas em jogos e que , até por vergonha inconsciente, o portador não percebe o cheiro. Em situações como essas o Educador certamente estava sendo observado por todos e não somente pelos mais críticos. Mesmo tendo cometido possivelmente algum erro de conduta , fizemos o melhor que conseguimos naquele momento e posteriormente ouvimos comentários positivos e solidários de outros professores tentando imaginar como se comportariam numa situação dessas.


E por falar em ação dos Espíritos, em reencarnação e mudança de atitudes nas escolas, é notória e intensa a ação dos Espíritos no campo da sexualidade, tanto no que diz respeito a satisfação de desejos carnais, por parte daqueles em situação de dependência, como daqueles outros que buscam influenciar os encarnados para gerar a situação-oportunidade de reencarnação, estimulando nos adolescentes a relação sexual e a gravidez precoce. As oportunidades de retorno ao campo físico são atualmente muito escassas, por uma simples questão de oferta e procura. Pode parecer engraçado e até absurdo aos leitores mais críticos e racionalistas, mas no mundo espiritual planetário está acontecendo, há algumas décadas , uma espécie de “globalização e competição cármica”. A enorme quantidade de Espíritos ainda mentalmente atrasados em nosso planeta faz com que as experiências na carne sejam mais necessárias do que a vida nos planos etéreos. Segundo alguns autores, ocorre também fator agravante, que é a própria condição psíquica do planeta, de provas e expiações, tornando-se alvo de Espíritos de outros mundos em busca desse tipo de oportunidade. Nesse campo não sabemos em detalhes como funciona o regulamento e o controle das reencarnações por parte dos Espíritos Superiores, mas sabemos que o fator predominante desse processo psíquico-social é a afinidade mental. É o tal do “parentesco” espiritual. A gravidez humana é sempre um evento especial, presidido pela espiritualidade, ou seja, pelos Espíritos bastante interessados nessa situação, desde o estabelecimento de compromissos pré-encarnatórios até a aproximação dos pólos sexuais que vai gerar um novo corpo. É um evento especial, mas é também uma situação psíquica e biológica muito perturbadora, na qual as intenções e desejos se misturam com a manipulação de energias genésicas poderosas e de difícil controle pelas mentes imaturas e ainda submissas à lei da gravidade planetária. Portanto , é possível e real que os Espíritos, sejam superiores ou inferiores, interfiram nas relações afetivas e sexuais daqueles que lhe são afins ou que precisam reajustar-se perante a Lei Maior. E as escolas e seus arredores são cenários importantes dessas tramas do destino. Tanto é que, nas situações opostas, muitos Espíritos inferiores, encarnados e desencarnados, trabalham para impedir que ocorra a reencarnação de inimigos ou futuros credores, estimulando mentalmente ou realizando a prática do aborto, mesmo que o crime lhes reservem severas heranças como a impotência e a esterilidade. Os desejos e emoções equilibradas ou perturbadas durante a gravidez quase sempre são manifestações da nova formação psíquica do Espírito reencarnante, na qual expressa seus antigos gostos e tendências. Mães que abandonam os filhos logo após o parto não fazem somente por causa da chamada depressão pós-parto, que é uma conseqüência, mas também porque já estão tendo lembranças inconscientes do passado e prevendo os problemas que essas crianças lhes causarão futuramente, já que são Espíritos que foram prejudicados por essas mães em existências anteriores. As agressões e assassinatos de bebês, por conta da explosão emocional de pais jovens, atormentados pelo desconforto da paternidade e maternidade precoce, têm se destacado nas estatísticas da violência doméstica e que acaba chegando nas escolas. Espiritualmente falando, sabemos que não existe acaso, planos estritamente biológicos, muito menos barriga de aluguel. Tudo acontece por força das combinações de leis naturais e morais. Muitos videntes confirmam, ao ver cenas de namoro entre adolescentes, sobretudo nos casais de idade precoce, um forte assédio mental-sexual para que se consuma o ato desprotegido de medidas preventivas e preservativas, e a conseqüente gravidez. Para os Espíritos sedentos de experiências na carne, não importa, naquele momento, as conseqüências nem as futuras condições da sua futura existência carnal. Eles querem renascer a qualquer custo. Bom seria se quisessem, como exige a Lei da Evolução, renascer e ressurgir [2]e não somente retornar para o corpo para aproveitar os prazeres da carne e dos instintos. Mas isso a Vida ensina, pelo amor ou pela dor. No mundo social dos adolescentes estudantes esse comportamento já virou rotina e alvo da admiração e imitação por parte das meninas. Já ouvimos pessoalmente um diálogo entre duas alunas de 13 anos que confirma essa realidade. Uma delas argumentava para a colega que iria ficar grávida, pois, pelo fato de ser filha adotiva, esperava premiar a mãe com um neto. Também esperava do pai do futuro pai da criança apenas a “pensão” mensal, pois iriam morar, ela e o filho, num espaço próprio, na casa dos pais. Enquanto isso uma terceira colega, um pouco distante, observava e manifestava grave discordância, olhando para nós com expressões de desaprovação, a que ouvia a colega estava com os olhos brilhando, sonhando e imaginando-se na mesma situação. Pensamentos e sonhos como esse têm uma repercussão muito forte e diferente no mundo espiritual, onde se diz: “Diga-me o que sentes e pensas e eu te direi com quem andas”.


As escolas e os educadores têm em mãos conhecimentos importantes sobre sexualidade na adolescência e na escola, amparados por lei, porém, diante de condições inibidoras, como o tabu, os preconceitos e os riscos de reações imprevisíveis por parte dos educandos e seus familiares, quase sempre se retraem para evitar maiores problemas. O saudável hábito de aprender abertamente a sexualidade responsável nas salas de aula continua sendo massacrado pelo hábito errôneo de aprender sexo prático e fácil nos banheiros coletivos e nos trajetos obscuros entre o lar e a escola. Muitos professores sofrem agressões físicas de pais e namorados violentos, em perigosas cenas de ciúme por conta de envolvimentos emocionais mal interpretados com jovens carentes e sem nenhuma formação moral e científica sobre sexualidade. Outra constatação é que professores e alunos realmente correm o risco de sucumbir a situações tentadoras, não suportando as pressões sexuais e acabam se envolvendo em situações perigosas e injustificáveis. Mas, como ensinam os Espíritos, sexo é compromisso com o destino, não havendo tolerância das leis universais com a banalização de forças criadoras e sagradas. Para os Espíritos Superiores, sexo é recurso genésico procriador e veículo de harmonização afetiva, vetor evolutivo, educador dos sentidos e neutralizador dos instintos destruidores da brutalidade e da opressão, seja qual for o gênero de sua manifestação. Seu uso correto, pela honestidade mútua, promove e ilumina os Espíritos encarnados. O abuso de sua força e traição das intenções gera graves danos nas mentes e nos corpos. Toda relação sexual, até mesmo as mais fúteis, deixa marcas profundas no psiquismo dos pólos envolvidos, mesmo que não haja sentimentos afetivos. A troca de energias sexuais parte não somente de impulsos instintivos, mas também de afinidades que estabelece ligações entre os perispíritos e também entre aqueles que podem ser atraídos numa possível concepção e reencarnação. Cumplicidade de sensações resultam primeiro na cumplicidade de emoções e depois dos sentimentos. Eis aí o compromisso. Filhos não são apenas fatos e fetos biológicos, mas individualidades, histórias de vida, que possuem ligações mentais antigas com seus futuros pais. Nós já passamos por uma situação em que um colega nos pediu ajuda, mais um desabafo, porque havia engravidado uma aluna e depois decidido convencer a menina a fazer o aborto. Não o condenamos e somente lembramos a ele que a sua própria consciência e o seu conhecimento revelavam a delicadeza da situação e as conseqüências do seu ato. Conhecemos também um casal que lutava há anos para criar um filho em condição de autismo. É uma preciosa de lição de vida para quem acha que tem dificuldades insolúveis. Depois de lermos um texto sobre esse problema mental sob a ótica espírita, sugerimos a ele que, conversasse com o filho durante o sono físico, para tentar uma aproximação, já que o mesmo não demonstrava sinais de progresso na sua longa auto-reclusão. Numa das nossas conversas, por sinal sempre amistosas e sinceras, pois tinha formação protestante, o pai nos relatou, em lágrimas, que esse filho foi produto de uma gravidez inesperada e que, ele e a mãe da criança, na época ainda muito jovens, tentaram abortar. É claro que a auto-reclusão do filho significava que ele ainda não havia decidido consumar o seu nascimento físico, já que os pais demonstraram na época uma forte rejeição pelo acontecimento. O filho, na condição de autismo, estava aguardando dos pais a explicação e um esclarecimento do que aconteceu, um pedido de desculpas e um “sim” definitivo para ingressar na família e buscar com eles um ressurgimento espiritual. Por sua vez, a causa do autismo não foi somente a agressão e rejeição por parte dos pais, mas a gota d’água para o início de uma prova , pois tais Espíritos já são severos credores de si mesmos, corroídos pelo sentimento de culpa por terem cometidos falhas graves, receando novas quedas e pavor de voltar à carne. Aliás, nesse momento de luta entre o Espírito e matéria, ocorre uma reação contraditória no ser humano: o mesmo medo que temos de morrer acontece quando estamos prestes a reencarnar; se estamos aqui, não queremos ir para lá; e se estamos lá, não queremos vir para cá.

[1] Realização natural da lei de causa e efeito, que na cultura hindu se diz Karma.
[2] Na concepção cristã histórica, resgatada pelo Espiritismo, renascer significa biologicamente reencarnar e ressurgir psicologicamente romper os limites da mente.

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